domingo, 20 de agosto de 2017

Yes, we have bananas


 After an excessively dull year in cold and gray Scandinavia, she left the plane in Rio thirsty for glamour. Before letting her friends and family know of her arrival in the tropical paradise, she checked in at the legendary Copacabana Palace. 
Bubble bathing in Amazon scented salts, soothed her cold body and lifted her spirit. She was starting to feel like herself again. There was something missing, though… but she knew exactly where to find it. 
Jumping into her swimsuit and called the room service:
– I am going to have breakfast on the beach with someone very special. Can you please send me your freshest bunch of bananas and your coolest bottle of champagne?
And so went she! Out to the beach to toast and have a feast with the most luxurious company of all: the magnificent Brazilian sun.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Miséria

No país mais rico que eu já vivi,
passo fome de afeto.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Exaustão





Ser estrangeiro cansa.
Que saudade de pertencer!

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Curvas e bolas

Dos Europeus, muitas vezes, quando falo a palavra Brasil, ouço, de volta, samba, seguido de um toque não consentido e de um sorriso malicioso.
Dos Asiáticos ouvi muito: número um no futebol.
Não sou de futebol, a não ser em copa do mundo, claro.

Mas, as bolas que me traduzem o Brasil não são as de jogar, são as de comer:
brigadeiros e pão-de-queijo.

As bolas de brigadeiro enrolo quando o venta sopra pavoroso e o cinza embolora por dentro
Quase todos os dias.

As bolas de pão-de-queijo são mais difīceis de conseguir.
Então, as enrolo quando a vontade de casa é maior que a vontade de viver.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Ain't no mountain high enough



Há anos não escrevo...
E também conheço outra pisciana artista que, há anos, não pintava.
Mas, se mudou daqui e o seu dom voltou a ela.

Aqui, quase nunca há luz.
E é tudo baixo, apertado, não dá perspectiva.
Quase todos veem tudo do mesmo modo, do mesmo jeito, da mesma distância.
Superficial
Sombras e cinzas. Para que pintar?
São tod@s iguais

E escrever sobre o que?
Sobre andar de bicicleta por ruas de paredes de tijolos amarelos, nesse vento que te rasga a roupa e congela os sonhos?
Sobre encher a cara de doces quentes pra ver se se consegue soldar por dentro a alma estilhaçada?

Eu me quebrei tentando ser igual
Me quebrei porque, ao acusa-los de não aceitar diferenças,
descuidei de mim.
Por que olhei tanto pra eles e tão pouco pra mim?

Não sei como me emendo,
Tenho medo de que os sonhos congelados tenham perdido para sempre o frescor.
Tenho medo de que os sonhos congelados, derretidos, peguem gosto amargo,
Independente dos 30kg de doce que eu enfiei dentro.
Hoje sou o dobro de nada de bom.

Tenho medo de nunca mais gostar de mim,
mesmo que me instale nas montanhas mais altas.

Quero voltar pra eu.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Com você eu sou eu


Eu te amo tanto, porque você não me afoga ou me amordaça.
Você me chama pra terra firme e está lá comigo. Mesmo sem segurar a minha mão, você está presente.
Também vem comigo quando eu te chamo pra nadarmos juntos.
Mas nunca me impede ou questiona os meus longos mergulhos solo.
Meus gritos de sereia não te espantam. Você, mesmo sem segurar minha mão, se mantém presente.

Com você, sou peixa e sou mulher, cada um na hora que tenho que ser. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Primeira segunda-feira de 2012

Cartão de Natal
João Cabral de Melo Neto


Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.

Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa", Editora Nova Aguilar, 1994, pág.