quarta-feira, 24 de abril de 2019

Depressão



Depressão, na minha experiência,
foi como ser engolida por uma onda
E arrastada para um mar de piche,
numa ressaca sem fim.

Mas tem fim.

Tem que olhar pro céu azul,
Tem que pedir ajuda,
Tem que gritar por socorro,
Tem resgate.

Resgatada,  resta o pavor de que o primeiro verbo desse micro-poema seja conjugado no futuro, ou ainda pior, no presente. Mas também resta o banho, as ondas do mar, as savanas, os amigos, o cêu azul, as zebras e todas as outras coisas.

E resta lembrar que tem fim, e tem resgate e tem socorro e tem ajuda e tem céu azul.

domingo, 20 de agosto de 2017

Yes, we have bananas


 After an excessively dull year in cold and gray Scandinavia, she left the plane in Rio thirsty for glamour. Before letting her friends and family know of her arrival in the tropical paradise, she checked in at the legendary Copacabana Palace. 
Bubble bathing in Amazon scented salts, soothed her cold body and lifted her spirit. She was starting to feel like herself again. There was something missing, though… but she knew exactly where to find it. 
Jumping into her swimsuit and called the room service:
– I am going to have breakfast on the beach with someone very special. Can you please send me your freshest bunch of bananas and your coolest bottle of champagne?
And so went she! Out to the beach to toast and have a feast with the most luxurious company of all: the magnificent Brazilian sun.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Miséria

No país mais rico que eu já vivi,
passo fome de afeto.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Exaustão





Ser estrangeiro cansa.
Que saudade de pertencer!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Ain't no mountain high enough



Há anos não escrevo...
E também conheço outra pisciana artista que, há anos, não pintava.
Mas, se mudou daqui e o seu dom voltou a ela.

Aqui, quase nunca há luz.
E é tudo baixo, apertado, não dá perspectiva.
Quase todos veem tudo do mesmo modo, do mesmo jeito, da mesma distância.
Superficial
Sombras e cinzas. Para que pintar?
São tod@s iguais

E escrever sobre o que?
Sobre andar de bicicleta por ruas de paredes de tijolos amarelos, nesse vento que te rasga a roupa e congela os sonhos?
Sobre encher a cara de doces quentes pra ver se se consegue soldar por dentro a alma estilhaçada?

Eu me quebrei tentando ser igual
Me quebrei porque, ao acusa-los de não aceitar diferenças,
descuidei de mim.
Por que olhei tanto pra eles e tão pouco pra mim?

Não sei como me emendo,
Tenho medo de que os sonhos congelados tenham perdido para sempre o frescor.
Tenho medo de que os sonhos congelados, derretidos, peguem gosto amargo,
Independente dos 30kg de doce que eu enfiei dentro.
Hoje sou o dobro de nada de bom.

Tenho medo de nunca mais gostar de mim,
mesmo que me instale nas montanhas mais altas.

Quero voltar pra eu.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Com você eu sou eu


Eu te amo tanto, porque você não me afoga ou me amordaça.
Você me chama pra terra firme e está lá comigo. Mesmo sem segurar a minha mão, você está presente.
Também vem comigo quando eu te chamo pra nadarmos juntos.
Mas nunca me impede ou questiona os meus longos mergulhos solo.
Meus gritos de sereia não te espantam. Você, mesmo sem segurar minha mão, se mantém presente.

Com você, sou peixa e sou mulher, cada um na hora que tenho que ser. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Primeira segunda-feira de 2012

Cartão de Natal
João Cabral de Melo Neto


Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.

Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa", Editora Nova Aguilar, 1994, pág.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Primeira da Dinamarca

Estou absorvendo a vida aqui primeiro, para que, tendo a minha rotina dinamarquesa entranhada em meus poros, possa encontrar a Alessandra da vez.

domingo, 16 de outubro de 2011

Em nossa honra

Em nossa honra eu devo me lembrar que você era engraçado e me fez dar várias risadas.

Em nossa honra eu devo me lembrar que você era inteligente, espirituoso e, sim, tinha pensamentos revolucionários e eu admirava tanto essas coisas suas!

Em nossa honra eu devo me lembrar que fui feliz com você, porque, para mim, naquela hora, aquilo era felicidade.

Em nossa honra eu devo dizer que você me deu amor e que, para mim, naquele momento, aquele amor era enorme e era o que eu sabia receber.

Em nossa honra eu devo dizer que as coisas sábias, maduras e bonitas que você expressava, mesmo que não tenham se materializado, abriram uma parte de mim que estava fechada até então e, ali, lançou muitas sementes boas que me fizeram florescer a mulher que sou hoje.

Obrigada pela honra de ter vivido parte da minha história com você e por ela ter me preparado para o que de mais vou viver. Estou vivendo.


"I've been your mother, I've been your father
Who could ask me for more?
I've been your sister, I've been your mistress
Maybe I was your whore
Who could ask me for more?"

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mamãe, coragem!


Depois de alguns anos sem amar, sinto que finalmente estou oferecendo meu coração para alguém. Engraçado que, quando pensei nessa frase, pensei em escrever "abrindo meu coração para alguém", mas antes de perceber, já tinha escrito oferecendo, o que faz muito mais sentido.

Sempre acreditei no amor . É claro que, como todos, tive experiências românticas dolorosas no passado. Mas, felizmente, não foram ruins a ponto de me fazer pensar que eu não seria capaz de amar de novo. O lance é que, depois do meu último relacionamento, que havia sido muito longo e também o único, eu queria ficar um tempo sozinha. Queria rever as minhas bases e ME separar realmente, no sentido de decantar o que era meu e o que era dele. E também o que era dele, mas que ele tinha me dado e eu seguiria levando comigo. Esses foram tempos em que o meu coração estava bem fechado, já que eu não sabia passar por todo esse processo de transformação de outra forma.

Esse tempo demorou bem mais do que eu previa e não sei precisar quando terminou... acho que foi até eu sentir que estava ali, simplesmente, com tudo de bom e de ruim. Com tudo o que tenho, meu originariamente ou tomado, e que aceito isso. Acredito que, nesse momento, enchi-me de amor o suficiente para compartir e então meu coração pode se abrir novamente.

Agora os tempos são esses: estou amando alguém e estou grata, feliz e contente, rindo sozinha, rindo a tôa. E também insegura, morrendo de medo, em pânico. Medo de perder a liberdade de fazer o que eu quero, na hora que acho que deve ser feito. Medo de sentir ciúmes, de morrer de ciúmes. Medo de perder o poder de ir pra qualquer lugar do mundo que eu quiser sem olhar muito para trás. Medo de criar laços, vínculos.

Medo de laços que me vão fazer chegar perto e, de perto, inevitavelmente expôr como eu sou: não tão forte, não tão legal, não tão doce, não tão inteligente.

O meu maior medo é o da exposição que a entrega implica.

Sei também que, apesar de insegura, ignorante, e, por vezes, amarga... medrosa não está na lista dos meus traços. Ao contrário, sempre tive muita coragem, herdada de ambos os meus pais. E, decantei recentemente, o excesso de auto-crítica adquirido que me impedia de agir, pulsar, ousar.


Agora os tempos são de medo, mas também de coragem, já que um não existe sem o outro.

É tempo de amor e entrega.




quarta-feira, 13 de abril de 2011

Jag älskar Sverige*

Esse fim de semana estive em Lund, onde morei na Suécia por dois anos e meio.
A minha decisão de ir pra Lund, acho que foi a segunda mais difícil da minha vida. Por implicar em muitas coisas, inclusive no término de um relacionamento de 13 anos.

Retornar me fez perceber, de forma quase visceral, o quanto fui recompensada!
Tenho orgulho de mim por ter decidido. Mesmo que a decisão não houvesse sido me mudar para Lund, já teria sido importante e maturador.

Mas a decisão de ir para Lund me transformou, me libertou, me liberou e acho que sou mais feliz do que era quando decidi ir.

Decisões implicam em renúncias. As renúncias foram grandes, os ganhos também.

*Eu amo a Suécia, em sueco.

terça-feira, 15 de março de 2011

O que deu errado?



Parecia que ia ser grande.
Mas quando eu descobri a verdade, tudo ficou insignificante.

Porque a coisa que eu mais gostava em você (talvez a única) era o fato de você gostar tanto de mim.
Não queria que isso fosse verdade. Mas foi!


terça-feira, 8 de março de 2011

Globalização II

Ela é brasileira e morou na Suécia por dois anos e meio. Viveu no sul do país, quase na Dinamarca, bastava atravessar uma ponte.
Visitou muitas vezes Copenhague, principalmente no último ano e meio. 
Mas não foi até morar em Paris que encontrou os pares de sapatos dinamarqueses que lhe caíam bem. Eles estavam em uma loja grega.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

No woman, no cry, t'habit a Paris

Bem... é fato. Estou morando em Paris.
Depois da primeira semana de cama, com pneumonia, estou finalmente pronta pra ver as luzes da cidade.

Aliás, mesmo doente a cidade me mostrou algumas luzes: o médico que me atendeu em casa e que deixou o endereço e o troco antes mesmo que eu mandasse seu pagamento pelos correios. Ou a dona do restaurante vegetariano daqui de perto, que ouviu a minha tosse e me tratou como filha, me dando até tomilho pra minha infusão. No restaurante também tem um cachorro super meigo!

Eu adoro o mau humor dos parisienses e acho adorável a falta de paciência deles com que não sabe o que quer, com quem não se decide. Acho que nunca vi um povo mais objetivo. E, demostrado o que se quer (rápido, antes que eles desistam, e eles desistem num estalar de dedos), eles se empenham tanto em te fazer chegar lá.

Bem, talvez seja essa a grande lição que eu tô aqui pra aprender. Demonstrar o que eu quero: rápido, objetivamente, sem rodeios, antes que não dê mais tempo. Realizar, talvez seja o jeito certo de colocar as coisas. EStou aqui pra realizar, rápido, objetivamente, sem rodeios.

P.S.: No woman no cry foi a primeira música que ouvi aqui, quando subi o lance de escadas em frente ao apto que estou morando pra encontrar os pés da basílica de Sacre Coeur. Eu estava muito doente e me sentindo sozinha. Ouvi essa música enquanto olhava a cidade do alto. Acho que foi um recado.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tem gente que acha bonito ser feio

e teve até uma dia que ela se despiu da sua beleza só pra provar que tinha mais algum valor além daquilo.

mas aí ela cresceu e largou de ser boba.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lágrimas II

Passam as lágrimas, o coração fica: limpo e aberto!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MestrA

Tive que escrever uma dissertação de mestrado, em inglês, pra convencer a mim mesma que o meu jeito de ser mulher é feminino.

Demorou. Foi difícil, tortuoso, tive dúvidas. Mas... Consegui!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Lágrimas

Hoje eu chorei muito.
Chorei de amor.
Há bem mais de dois anos não chorava assim.
Bem... sou capaz de novo.

Bom ou ruim?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Palavras ditas

"As palavras saem quase sem querer
Rezam por nós dois
Tome conta do que vai dizer
Elas estão dentro dos meus olhos
Da minha boca, dos meus ombros.
Se quiser ouvir
É fácil perceber

Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração"


Trecho de Palavras, Vanessa da Mata, escrita e cantada por ela mesma. Disco: Bicicletas, Bolos e outras alegrias. Música linda em álbum fabuloso!

Perfeição



Fora: neve, muita neve.
Dentro: bossa nova, velas e vidros embaçados.



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