E, como já previa, eu ia ficar parada na estação até quando eu quisesse.
Como parei de querer, entrei em outro trem.
Trem.
E tá me dando uma vontade de que esse trem engrene.
Esse e mais uns outros aí, especialmente um outro, pq, se aquele engrenar, o segundo acompanha no embalo.
E eu percebo que há mais trem na minha mineirice do que eu supunha.
Viagem interior pelo mundo de uma menina. Viagem de uma menina do interior pelo mundo. Viagem pelo mundo de uma menina do interior. Viagem pelo interior de uma menina do mundo.
quinta-feira, 11 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
O pulo do gato.
Eu estava aqui: quieta, decidida. Tinha deixado tudo, tudo para trás e superado totalmente o desejo bobo por abraços aconchegantes que me acompanhou nas primeiras semanas do ano. Eu era só tese, trabalho, direitos humanos e humanitários. Às vezes yôga e tarot, meus amigos e minhas viagens. E estava feliz com isso, bem-resolvida nas minhas ocupações independentes e solitárias.
Aí vc chega com um jeito de quem não vai ocupar espaço nenhum, tipo sem fazer barulho, tipo na ponta dos pés... Tipo um gato que só vai tomar quietinho o seu prato de leite e depois partir em sua agilidade felínica. E, nessas condições, eu deixo vc entrar. Certa de que o meu papel seria simplesmente o de colocar o leite no prato e depois te ver saltar ligeiro para sei lá onde - e nem me importaria saber. Certa de que seria como um trem que atravessa a ponte, pára rápido e segue adiante.
Mas, seu tempo era outro. Você demorou e depois demorou mais e depois demorou mais ainda. E, ao invés de ter ido embora, ainda tá aqui, andando por lugares para os quais eu não dei passagem, mas que você, sem eu perceber, acessou com sua calma. E está deitado, esparramado, exatamente como um gato folgado! Gato que eu, agora, estou morrendo de vontade de afagar, mas receio que, se o fizer, vai embora assustado, com toda a sua desconfiança nos seres humanos. Ou que, de medo, me arranhe. Se ao menos você soubesse que tipo de humana sou eu...
Como eu pude confiar em mim? Como eu pude ser tão boba de achar que eu consegueria manter a minha guarda? Como eu não sabia que você, com toda a sua lentidão - e por causa dela-, ia fazer tudo acontecer tão rápido?!?
Aí vc chega com um jeito de quem não vai ocupar espaço nenhum, tipo sem fazer barulho, tipo na ponta dos pés... Tipo um gato que só vai tomar quietinho o seu prato de leite e depois partir em sua agilidade felínica. E, nessas condições, eu deixo vc entrar. Certa de que o meu papel seria simplesmente o de colocar o leite no prato e depois te ver saltar ligeiro para sei lá onde - e nem me importaria saber. Certa de que seria como um trem que atravessa a ponte, pára rápido e segue adiante.
Mas, seu tempo era outro. Você demorou e depois demorou mais e depois demorou mais ainda. E, ao invés de ter ido embora, ainda tá aqui, andando por lugares para os quais eu não dei passagem, mas que você, sem eu perceber, acessou com sua calma. E está deitado, esparramado, exatamente como um gato folgado! Gato que eu, agora, estou morrendo de vontade de afagar, mas receio que, se o fizer, vai embora assustado, com toda a sua desconfiança nos seres humanos. Ou que, de medo, me arranhe. Se ao menos você soubesse que tipo de humana sou eu...
Como eu pude confiar em mim? Como eu pude ser tão boba de achar que eu consegueria manter a minha guarda? Como eu não sabia que você, com toda a sua lentidão - e por causa dela-, ia fazer tudo acontecer tão rápido?!?
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Note to Self
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Fui lá
Como foi?
Não sei direito... não entendi o que lá aconteceu e nem o que acontecerá daqui pra frente.
Só sei o que eu senti.
Senti que foi bom, que foi legal... que foi melhor do que eu esperava e do que eu me lembrava.
E, se nada mais acontecer, já foi o massa o suficiente pra ter valido a travessura. Trouxe o sorriso que o meu rosto estampa enquanto escrevo essas palavras.
Siiiiim, valeu!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Passou.
Foi assim, como um sol.
Por favor, entendam, não foi qualquer solzinho. Não foi um desses sóis do tipo astro-rei, centro da via-láctea que se vê por aí.
Foi O SOL! Digno de todo o valor que lhe é atribuído na Escandinávia. Totalmente abastecido com o poder e a influência que detem sobre a vulnerável vida de uma brasileira-tropicana-de-coração-partido-recém-chegada-na-gelidez-nórdica.
Foi o DEUS-SOL!
Totalmente blindado e resistente a qualquer arma de manipulação que eu, àquela altura, carregava no meu cinturão de utilidades.
Me iluminou como o sol. Clareou rincões do mundo totalmente ocultos ao meu olhar até aquele momento. Possibilitou-me enxergar que delíros e imagens que tenho de olhos fechados são realidades possíveis com olhos escancarados. Trouxe à luz tantas das minhas sombras e coisas que eu tentava esconder e das quais eu tentava fugir.
Me aqueceu como o sol, e eu fiquei com sede voraz de saber e, por isso, eu soube mais. E ainda sei mais.
Me queimou como o sol. E, a final, essa queimadura era o que de mais importante e maduro eu poderia ter recebido naquele momento. Transpôs tão profundamente o meu ego e cauterizou minha alma, me aprontando para a nova vida que eu estava começando a viver.
Mas não era sol nenhum. Era um cometa. Extremamente iluminado, dourado, incandescente. Facilmente confundível com o próprio SEGUNDO SOL. Inesquecível! Visível a olhos das pessoas cheias de sorte. Mas, apenas um cometa.
Serei eternamente grata pela importância de sua passagem no céu da minha vida!
Por favor, entendam, não foi qualquer solzinho. Não foi um desses sóis do tipo astro-rei, centro da via-láctea que se vê por aí.
Foi O SOL! Digno de todo o valor que lhe é atribuído na Escandinávia. Totalmente abastecido com o poder e a influência que detem sobre a vulnerável vida de uma brasileira-tropicana-de-coração-partido-recém-chegada-na-gelidez-nórdica.
Foi o DEUS-SOL!
Totalmente blindado e resistente a qualquer arma de manipulação que eu, àquela altura, carregava no meu cinturão de utilidades.
Me iluminou como o sol. Clareou rincões do mundo totalmente ocultos ao meu olhar até aquele momento. Possibilitou-me enxergar que delíros e imagens que tenho de olhos fechados são realidades possíveis com olhos escancarados. Trouxe à luz tantas das minhas sombras e coisas que eu tentava esconder e das quais eu tentava fugir.
Me aqueceu como o sol, e eu fiquei com sede voraz de saber e, por isso, eu soube mais. E ainda sei mais.
Me queimou como o sol. E, a final, essa queimadura era o que de mais importante e maduro eu poderia ter recebido naquele momento. Transpôs tão profundamente o meu ego e cauterizou minha alma, me aprontando para a nova vida que eu estava começando a viver.
Mas não era sol nenhum. Era um cometa. Extremamente iluminado, dourado, incandescente. Facilmente confundível com o próprio SEGUNDO SOL. Inesquecível! Visível a olhos das pessoas cheias de sorte. Mas, apenas um cometa.
Serei eternamente grata pela importância de sua passagem no céu da minha vida!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
sem sinal
Estou em Londres.
Sem mais nem menos, meu celular parou de funcionar. Desligou e nunca mais ligou. É a segunda vez que isso acontece comigo desde que estou morando fora do Brasil.
A primeira vez foi em Berlin e não foi exatamente assim, mas tambem fiquei incomunicável. E as duas vezes que aconteceu estava longe de casa, quando não tenho muito o que fazer.
E isso me causa um pavor enorme.
Sim, tenho todas as fotos das minhas viagens no meu celular, já que estou sem câmera.
sim, tenho centenas de músicas no celular e as ouço o tempo todo.
sim, meu celular também é meu relógio e meu despertador
sim, os enderecos das pessoas queridas para quem eu quero mandar postais estavam no celular. Assim como milhares de anotações sobre a viagem, números de documentos, etc, estao no celular.
sim, uso a internet do celular e é dessa forma que eu mando e recebo emails importantes quando estou fora.
sim, uso os mapas do celular.
NÃO, não é por nada disso que me deixa louca, triste, desesperada quando fico sem o bendito celular.
O que me deixa totalmente insegura, o que me tira a ginga, o que me tira o rebolado é o fato de que pode acontecer alguma coisa com o meu pai, minha mãe ou qualquer outra pessoa que eu amo no Brasil e eu nao vou ficar sabendo... vou, mas nao vao conseguir me achar!
Isso me tira o chão! Me afoga. Me deixa, ao mesmo tempo, desamparada e sem ar, como se eu estivesse trancada num cubículo totalmente escuro e abafado, mesmo estando jogada na vastidão das maiores metrópoles européias.
Sem mais nem menos, meu celular parou de funcionar. Desligou e nunca mais ligou. É a segunda vez que isso acontece comigo desde que estou morando fora do Brasil.
A primeira vez foi em Berlin e não foi exatamente assim, mas tambem fiquei incomunicável. E as duas vezes que aconteceu estava longe de casa, quando não tenho muito o que fazer.
E isso me causa um pavor enorme.
Sim, tenho todas as fotos das minhas viagens no meu celular, já que estou sem câmera.
sim, tenho centenas de músicas no celular e as ouço o tempo todo.
sim, meu celular também é meu relógio e meu despertador
sim, os enderecos das pessoas queridas para quem eu quero mandar postais estavam no celular. Assim como milhares de anotações sobre a viagem, números de documentos, etc, estao no celular.
sim, uso a internet do celular e é dessa forma que eu mando e recebo emails importantes quando estou fora.
sim, uso os mapas do celular.
NÃO, não é por nada disso que me deixa louca, triste, desesperada quando fico sem o bendito celular.
O que me deixa totalmente insegura, o que me tira a ginga, o que me tira o rebolado é o fato de que pode acontecer alguma coisa com o meu pai, minha mãe ou qualquer outra pessoa que eu amo no Brasil e eu nao vou ficar sabendo... vou, mas nao vao conseguir me achar!
Isso me tira o chão! Me afoga. Me deixa, ao mesmo tempo, desamparada e sem ar, como se eu estivesse trancada num cubículo totalmente escuro e abafado, mesmo estando jogada na vastidão das maiores metrópoles européias.
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