Viagem interior pelo mundo de uma menina. Viagem de uma menina do interior pelo mundo. Viagem pelo mundo de uma menina do interior. Viagem pelo interior de uma menina do mundo.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
Ain't no mountain high enough
Há anos não escrevo...
E também conheço outra pisciana artista que, há anos, não pintava.
Mas, se mudou daqui e o seu dom voltou a ela.
Aqui, quase nunca há luz.
E é tudo baixo, apertado, não dá perspectiva.
Quase todos veem tudo do mesmo modo, do mesmo jeito, da mesma distância.
Superficial
Sombras e cinzas. Para que pintar?
São tod@s iguais
E escrever sobre o que?
Sobre andar de bicicleta por ruas de paredes de tijolos amarelos, nesse vento que te rasga a roupa e congela os sonhos?
Sobre encher a cara de doces quentes pra ver se se consegue soldar por dentro a alma estilhaçada?
Eu me quebrei tentando ser igual
Me quebrei porque, ao acusa-los de não aceitar diferenças,
descuidei de mim.
Por que olhei tanto pra eles e tão pouco pra mim?
Não sei como me emendo,
Tenho medo de que os sonhos congelados tenham perdido para sempre o frescor.
Tenho medo de que os sonhos congelados, derretidos, peguem gosto amargo,
Independente dos 30kg de doce que eu enfiei dentro.
Hoje sou o dobro de nada de bom.
Tenho medo de nunca mais gostar de mim,
mesmo que me instale nas montanhas mais altas.
Quero voltar pra eu.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Com você eu sou eu
Eu te amo
tanto, porque você não me afoga ou me amordaça.
Você me
chama pra terra firme e está lá comigo. Mesmo sem segurar a minha mão, você
está presente.
Também vem
comigo quando eu te chamo pra nadarmos juntos.
Mas nunca
me impede ou questiona os meus longos mergulhos solo.
Meus gritos
de sereia não te espantam. Você, mesmo sem segurar minha mão, se mantém presente.
Com você,
sou peixa e sou mulher, cada um na hora que tenho que ser.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Primeira segunda-feira de 2012
Cartão de Natal
João Cabral de Melo Neto
Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.
Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa", Editora Nova Aguilar, 1994, pág.
João Cabral de Melo Neto
Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.
Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa", Editora Nova Aguilar, 1994, pág.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Primeira da Dinamarca
Estou absorvendo a vida aqui primeiro, para que, tendo a minha rotina dinamarquesa entranhada em meus poros, possa encontrar a Alessandra da vez.
domingo, 16 de outubro de 2011
Em nossa honra
Em nossa honra eu devo me lembrar que você era engraçado e me fez dar várias risadas.
Em nossa honra eu devo me lembrar que você era inteligente, espirituoso e, sim, tinha pensamentos revolucionários e eu admirava tanto essas coisas suas!
Em nossa honra eu devo me lembrar que fui feliz com você, porque, para mim, naquela hora, aquilo era felicidade.
Em nossa honra eu devo dizer que você me deu amor e que, para mim, naquele momento, aquele amor era enorme e era o que eu sabia receber.
Em nossa honra eu devo dizer que as coisas sábias, maduras e bonitas que você expressava, mesmo que não tenham se materializado, abriram uma parte de mim que estava fechada até então e, ali, lançou muitas sementes boas que me fizeram florescer a mulher que sou hoje.
Obrigada pela honra de ter vivido parte da minha história com você e por ela ter me preparado para o que de mais vou viver. Estou vivendo.
Em nossa honra eu devo me lembrar que você era inteligente, espirituoso e, sim, tinha pensamentos revolucionários e eu admirava tanto essas coisas suas!
Em nossa honra eu devo me lembrar que fui feliz com você, porque, para mim, naquela hora, aquilo era felicidade.
Em nossa honra eu devo dizer que você me deu amor e que, para mim, naquele momento, aquele amor era enorme e era o que eu sabia receber.
Em nossa honra eu devo dizer que as coisas sábias, maduras e bonitas que você expressava, mesmo que não tenham se materializado, abriram uma parte de mim que estava fechada até então e, ali, lançou muitas sementes boas que me fizeram florescer a mulher que sou hoje.
Obrigada pela honra de ter vivido parte da minha história com você e por ela ter me preparado para o que de mais vou viver. Estou vivendo.
"I've been your mother, I've been your father
Who could ask me for more?
I've been your sister, I've been your mistress
Maybe I was your whore
Who could ask me for more?"
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Mamãe, coragem!

Depois de alguns anos sem amar, sinto que finalmente estou oferecendo meu coração para alguém. Engraçado que, quando pensei nessa frase, pensei em escrever "abrindo meu coração para alguém", mas antes de perceber, já tinha escrito oferecendo, o que faz muito mais sentido.
Sempre acreditei no amor . É claro que, como todos, tive experiências românticas dolorosas no passado. Mas, felizmente, não foram ruins a ponto de me fazer pensar que eu não seria capaz de amar de novo. O lance é que, depois do meu último relacionamento, que havia sido muito longo e também o único, eu queria ficar um tempo sozinha. Queria rever as minhas bases e ME separar realmente, no sentido de decantar o que era meu e o que era dele. E também o que era dele, mas que ele tinha me dado e eu seguiria levando comigo. Esses foram tempos em que o meu coração estava bem fechado, já que eu não sabia passar por todo esse processo de transformação de outra forma.
Esse tempo demorou bem mais do que eu previa e não sei precisar quando terminou... acho que foi até eu sentir que estava ali, simplesmente, com tudo de bom e de ruim. Com tudo o que tenho, meu originariamente ou tomado, e que aceito isso. Acredito que, nesse momento, enchi-me de amor o suficiente para compartir e então meu coração pode se abrir novamente.
Agora os tempos são esses: estou amando alguém e estou grata, feliz e contente, rindo sozinha, rindo a tôa. E também insegura, morrendo de medo, em pânico. Medo de perder a liberdade de fazer o que eu quero, na hora que acho que deve ser feito. Medo de sentir ciúmes, de morrer de ciúmes. Medo de perder o poder de ir pra qualquer lugar do mundo que eu quiser sem olhar muito para trás. Medo de criar laços, vínculos.
Medo de laços que me vão fazer chegar perto e, de perto, inevitavelmente expôr como eu sou: não tão forte, não tão legal, não tão doce, não tão inteligente.
O meu maior medo é o da exposição que a entrega implica.
Sei também que, apesar de insegura, ignorante, e, por vezes, amarga... medrosa não está na lista dos meus traços. Ao contrário, sempre tive muita coragem, herdada de ambos os meus pais. E, decantei recentemente, o excesso de auto-crítica adquirido que me impedia de agir, pulsar, ousar.
Agora os tempos são de medo, mas também de coragem, já que um não existe sem o outro.
É tempo de amor e entrega.
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