sexta-feira, 21 de julho de 2017

Miséria

No país mais rico que eu já vivi,
passo fome de afeto.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Exaustão





Ser estrangeiro cansa.
Que saudade de pertencer!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Ain't no mountain high enough



Há anos não escrevo...
E também conheço outra pisciana artista que, há anos, não pintava.
Mas, se mudou daqui e o seu dom voltou a ela.

Aqui, quase nunca há luz.
E é tudo baixo, apertado, não dá perspectiva.
Quase todos veem tudo do mesmo modo, do mesmo jeito, da mesma distância.
Superficial
Sombras e cinzas. Para que pintar?
São tod@s iguais

E escrever sobre o que?
Sobre andar de bicicleta por ruas de paredes de tijolos amarelos, nesse vento que te rasga a roupa e congela os sonhos?
Sobre encher a cara de doces quentes pra ver se se consegue soldar por dentro a alma estilhaçada?

Eu me quebrei tentando ser igual
Me quebrei porque, ao acusa-los de não aceitar diferenças,
descuidei de mim.
Por que olhei tanto pra eles e tão pouco pra mim?

Não sei como me emendo,
Tenho medo de que os sonhos congelados tenham perdido para sempre o frescor.
Tenho medo de que os sonhos congelados, derretidos, peguem gosto amargo,
Independente dos 30kg de doce que eu enfiei dentro.
Hoje sou o dobro de nada de bom.

Tenho medo de nunca mais gostar de mim,
mesmo que me instale nas montanhas mais altas.

Quero voltar pra eu.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Com você eu sou eu


Eu te amo tanto, porque você não me afoga ou me amordaça.
Você me chama pra terra firme e está lá comigo. Mesmo sem segurar a minha mão, você está presente.
Também vem comigo quando eu te chamo pra nadarmos juntos.
Mas nunca me impede ou questiona os meus longos mergulhos solo.
Meus gritos de sereia não te espantam. Você, mesmo sem segurar minha mão, se mantém presente.

Com você, sou peixa e sou mulher, cada um na hora que tenho que ser. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Primeira segunda-feira de 2012

Cartão de Natal
João Cabral de Melo Neto


Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.

Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa", Editora Nova Aguilar, 1994, pág.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Primeira da Dinamarca

Estou absorvendo a vida aqui primeiro, para que, tendo a minha rotina dinamarquesa entranhada em meus poros, possa encontrar a Alessandra da vez.

domingo, 16 de outubro de 2011

Em nossa honra

Em nossa honra eu devo me lembrar que você era engraçado e me fez dar várias risadas.

Em nossa honra eu devo me lembrar que você era inteligente, espirituoso e, sim, tinha pensamentos revolucionários e eu admirava tanto essas coisas suas!

Em nossa honra eu devo me lembrar que fui feliz com você, porque, para mim, naquela hora, aquilo era felicidade.

Em nossa honra eu devo dizer que você me deu amor e que, para mim, naquele momento, aquele amor era enorme e era o que eu sabia receber.

Em nossa honra eu devo dizer que as coisas sábias, maduras e bonitas que você expressava, mesmo que não tenham se materializado, abriram uma parte de mim que estava fechada até então e, ali, lançou muitas sementes boas que me fizeram florescer a mulher que sou hoje.

Obrigada pela honra de ter vivido parte da minha história com você e por ela ter me preparado para o que de mais vou viver. Estou vivendo.


"I've been your mother, I've been your father
Who could ask me for more?
I've been your sister, I've been your mistress
Maybe I was your whore
Who could ask me for more?"